quarta-feira, 15 de abril de 2009

Um rico resolve presentear um pobre por seu aniversário e ironicamente
manda preparar uma bandeja cheia de lixo e sujeiras.
Na presença de todos, manda entregar o presente, que é recebido com
alegria pelo aniversariante, e que gentilmente agradece e pede que lhe aguarde um
instante, pois gostaria de poder retribuir a gentileza.
Ele então joga fora o lixo, lava e desinfeta a bandeja, enche-a de
flores, e devolve-a com um cartão, onde está a frase:
"A gente dá o que tem de melhor ."
Ou seja:
Não perca sua serenidade.
A raiva faz mal à saúde, a mágoa envenena o coração.
Domine suas reações emotivas. Seja dono de si mesmo.
Esqueça e passe adiante, para não perder sua serenidade.
Não perca sua calma. Pense, antes de falar, e não ceda à sua
impulsividade.
"Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que outra pessoa
morra"

O haver

Resta acima de tudo essa capacidade de ternura,
Essa intimidade perfeita com o silêncio.
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo,
Perdoai! Eles não têm culpa de ter nascido.
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo,
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo de ferir tocando,
Essa forte mão de homem, cheia de mansidão para com tudo o que existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos,
Essa inércia cada vez maior diante do infinito,
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível,
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento da matéria em repouso,
Essa angústia da simultaneidade do tempo,
Essa lenta decomposição poética em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinícius.
Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas,
Essa tristeza diante do cotidiano ou essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória,
Resta essa vontade de chorar diante da beleza,
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal entendido.
Essa imensa piedade de si mesmo,
Essa imensa piedade de sua inútil poesia e sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado de pequenos absurdos,
Essa tola capacidade de rir à toa,
Esse ridículo desejo de ser útil e essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade,
Essa vagueza de quem sabe que tudo já foi, como será, como virá a ser e ao mesmo tempo esse desejo de servir,
Essa contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar, de transfigurar a realidade dentro dessa capacidade de aceitá-la tal como é.
Essa visão ampla dos acontecimentos e essa impressionante e desnecessária paciência.
E essa memória anterior de mundos inexistentes.
E esse egoísmo estático.
E essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam de esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto na busca desesperada de alguma porta de quem sabe inexistente.
E essa coragem indizível diante do grande medo e ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos, de refletir-se olhares sem curiosidade e sem história.
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade de não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento,
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços e esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir.
Quando emocionada ela virá me abrir a porta como uma velha amante, sem saber que é a minha mais nova namorada.

Queria Um Abraço Hoje

De repente deu vontade de um abraço.
Uma vontade de entrelaço, de proximdade..
de amizade, sei lá...
Talvez um aconchego que enfatize a vida e
amenize as dores...
Que fale sobre os amores, que seja teimoso e ao mesmo tempo forte.
Deu vontade de poder rever saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo e preencha todo espaço mas que faça lembrar do carinho, que surge devagarzinho
da magia da união dos corpos, das auras, sei lá...
Lembrar do calor das mãos acariciando as costas a dizer... "estou aqui"
Lembrar do trançar dos braços envolventes
e seguros afirmando "estou com você"... Lembrar da transfusão de forças
com a suavidade do momento, sei lá...
abraço...abraço...abraço...
abraço...abraço...abraço...
abraço...abraço...abraço...
O que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energia que harmoniza,
integra tudo, e que se traduz
no cosmo, no tempo e no espaço.
Só sei que agora deu vontade desse abraço!!
Que afaste toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima da alegria, e acalme o coração...
Que traduza a amizade, o amor e a emoção.
E para um abraço assim só pude pensar em você... nessa sua energia, nessa sua sensibilidade que sabe entender o por quê... dessa vontade desse abraço.....

Ignorado ficasse o meu destino

Ignorado ficasse o meu destino
Entre pálios (e a ponte sempre à vista),
E anel concluso a chispas de ametista
A frase falha do meu póstumo hino...

Florescesse em meu glabro desatino
O himeneu das escadas da conquista
Cuja preguiça, arrecadada, dista
Almas do meu impulso cristalino...

Meus ócios ricos assim fossem, vilas
Pelo campo romano, e a toga traça
No meu soslaio anônimas (desgraça

A vida) curvas sob mãos intranqüilas...
E tudo sem Cleópatra teria
Findado perto de onde raia o dia...

Ah, um soneto

Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...

No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.

Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaço.

Mas — esta é boa! — era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...

Poema do amigo aprendiz

Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
"Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita,
Prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
Há quem diga que todas as noites
são de sonhos.
Mas há também quem diga
nem todas,
Só as de verão...
Mas no fundo
isso não tem muita importância.

O que interessa mesmo
não são as noites em si,
São os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares,
Em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.

sábado, 11 de abril de 2009

Penso

Penso às vezes nos sonhos, nos amores,
Que inflamei à distância pelo espaço;
Penso nas ilusões do meu regaço
Levadas pelo vento a alheias dores...

Penso na multidão dos sofredores,
Que uma benção tiveram do meu braço;
Talvez algum repouso ao seu cansaço,
Talvez ao seu deserto algumas flores...

Penso nas amizades sem raízes,
Nos afetos anônimos, dispersos,
Que tenho sob os céus de outros países...

Penso neste milagre de meus versos:
Um pouco de modéstia aos mais felizes,
Um pouco de bondade aos mais perversos...

Do Amoroso Esquecimento

Eu, agora - que desfecho!

Já nem penso mais em ti...

Mas será que nunca deixo

De lembrar que te esqueci?